O grande desafio de nossa profissão
O Brasil será sede dos maiores fenômenos Socioculturais do Planeta. A Copa
do Mundo e as Olimpíadas são a maior peça de publicidade que um país poderia
desejar, com todas as suas potencialidades, oportunidades, reveses e custos. Entretanto,
alguns fatos são conflitantes entre a fala, o investimento e a realidade da prática
esportiva e o posicionamento das Secretarias de Esporte e de Educação, das Escolas
de Ensino Fundamental e Médio e da formação dos profissionais de Educação Física,
coroada pela falta de uma Política Nacional de Esporte e Atividade Física.
De um lado, temos o Governo, o COB, as Confederações, a mídia e a indústria
de entretenimento e espetáculo, em conjunto com as construtoras responsáveis por
tornar viável a infraestrutura esportiva necessária e outros fatores relacionados a uma
adequada execução. Ademais, temos poucos centros de treinamento e clubes que
trabalham com iniciação esportiva, aperfeiçoamento e treinamento de atletas, que enfrentam
problemas como falta de equipamento e estrutura adequada. De outro, encontramos
Escolas e Secretarias de Educação avessas em propor modelos de prática de
esportes, em que seja possível a todos os alunos desenvolver uma cultura de atividade
física e esporte adequada, dando vazão à Educação Física como instrumento de integração
e condições àqueles que estão acima da média para desenvolver seu potencial.
Não defendo que a Educação Física Escolar seja calcada apenas na prática esportiva
competitiva. Conseguimos nesta, nos últimos trinta anos, avanços interessantes,
mas o que se verifica é um crescente desinteresse pelas propostas apresentadas.
Competição e talento individual não fazem mais parte dessa vivência, e não capacitar
as pessoas pelo desafio tem como argumento: “Não podemos valorizar as diferenças,
pois as pessoas se sentirão desvalorizadas, ficarão traumatizadas.
A escola tem, entre outras, a função de preparar as pessoas para o mundo do
trabalho. Se uma pessoa não tiver a capacidade de lidar com desafios, derrotas e frustrações,
será um profissional que, no primeiro revés, desistirá. Independentemente do
potencial que se tenha, ensinar as pessoas a conviver com suas eventuais limitações
e buscar superação deve ser objeto de ação nas escolas.
Ante uma política de inclusão, penso a inclusão de todos, sem exceção, estimulando
aqueles com dificuldades e gerando desafios àqueles acima da média. Caso
contrário, sempre haverá exclusão de quem tem potencial, fato observado há muito
nas práticas escolares.
Este é o momento ideal para o Governo propor ações abrangentes e desenvolver
a Educação Física, as Ciências Esportivas e o Esporte Brasileiro e dar um salto qualitativo.
Surgem algumas boas ações, como a proposta do COB e da Secretaria Municipal
de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo, que alinha estratégia conjunta para a
formação de atletas visando às Olimpíadas. Se a busca é por talentos, é necessário
estimular a quantidade, e isso somente será possível com o engajamento das Secretarias
de Educação e das escolas.
Outro fator que merece atenção é o orçamento de 2010 (em fase de definição).
A maioria dos Estados fixa valores inferiores a 0,1% do orçamento para os gastos de
manutenção das Secretarias de Esporte, restando para cada município menos
de R$ 4.000,00 para desenvolver ações de fomento junto à população, causando a
exclusão de muitos por falta de políticas públicas.
A Phorte Editora continuará na busca de excelência de suas publicações, de autores
nacionais e internacionais, e apresentando, gratuitamente, palestras ao vivo pela
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Phorte Abraço,
Fabio Mazzonetto
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